25 NOVEMBRO 21h30 | FAIAL | Teatro Faialense
26 NOVEMBRO 14h30 | TERCEIRA | Auditório da Escola Básica e Secundária Tomás de Borba
27 NOVEMBRO 21h30 | S. MIGUEL | Teatro Ribeiragrandense
TRIUNVIRATO
Nuno Inácio, flauta transversal
Marco Pereira, violoncelo
Paulo Pacheco, piano
Programa
I
Carl Maria von Weber
Allegro Moderato
Bohuslav Martinu
II
Astor Piazzolla |
NUNO INÁCIO
Licenciado pela ESML, com a classificação máxima, prosseguiu os seus estudos em Inglaterra, com o pedagogo internacionalmente reconhecido, Trevor Wye. Foi laureado em diversos concursos nacionais e internacionais tais como: o 1.º Prémio no Concurso Internacional de Flauta "L'U.F.A.M.", em França; o 1.º Prémio no Concurso "Prémios Jovens Músicos" da RDP e Prémio Maestro Silva Pereira; a 6.ª Classificação no Prestigiado Concurso "Carl Nielsen" , na Dinamarca; o 1.º Prémio no Concurso de Improvisação na Convenção Internacional de Flauta, em Inglaterra. Actualmente é o 1.º Flautista da Orquestra Metropolitana de Lisboa e professor da classe de Flauta na Academia Nacional Superior de Orquestra (ANSO) e professor de Música de Câmara na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML).
MARCO PEREIRA
Iniciou os seus estudos na Escola Profissional de Música de Viana do Castelo, e posteriormente na Academia Nacional Superior de Orquestra na classe do Professor Paulo Gaio Lima, terminando o curso de Instrumentista de Orquestra com a classificação de 20 valores. Prosseguiu os seus estudos na Escuela Superior de Música Reina Sofia, em Madrid, Espanha, na classe da professora Natalia Shakovskaya, tendo sido considerado o melhor aluno da sua classe e foi bolseiro da Fundación Carolina, da Fundación Albéniz e da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi laureado em vários concursos nacionais e internacionais. Recentemente participou na gravação, para a etiqueta Sony, da sonata de Beethoven n.º 5 em Ré maior, Op. 102. Actualmente lecciona na Universidade do Minho e tem-se apresentado regularmente em concerto quer a solo, quer em música de câmara.
PAULO PACHECO
Natural dos Açores (São Miguel), estudou piano nas classes de Graça Paiva Cunha e de António Teves no Conservatório Regional de Ponta Delgada. É licenciado pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou com Miguel Henriques, e prosseguiu os seus estudos de mestrado em Piano Performance na Universidade do Norte do Texas, sob a orientação de Vladimir Viardo. Obteve o 1.º Prémio de Música de Câmara (nível superior) no Concurso Prémio Jovens Músicos/1999, o 3º Prémio no «Concerto Piano Competition MTNA», entre outros. Apresenta-se regularmente em recitais de música de câmara com o Trio.pt, Triunvirato e com o flautista Nuno Inácio. Presentemente, é docente da disciplina de Música de Câmara na Academia Nacional Superior de Orquestra (onde coordena a classe de música de câmara e é membro do conselho directivo) e na Escola Superior de Música de Lisboa.
Carl Maria von Weber (1786-1826) foi uma figura central do romantismo alemão. Filho de pais músicos, cedo se familiarizou com os grandes nomes do classicismo através das obras produzidas pela companhia músico-teatral formada pelo pai e constituída, sobretudo, por familiares. No trio op. 63, pensado provavelmente para uso doméstico, à semelhança de várias obras de Schubert, Weber dá à flauta o papel que normalmente cabia ao violino. O carácter romântico está imediatamente presente no 1º andamento, num tom que faz igualmente lembrar Schubert. O 2º andamento, em que a flauta é mais brilhante e o violoncelo mais discreto, contrasta em carácter com o primeiro. Esse brilhantismo apresenta-se a partir da valsa que domina todo o andamento, tendo Weber omitido o trio que normalmente faz parte do Scherzo. O 3º andamento intitula-se Schäfer’s Klage (Lamento do Pastor), aludindo ao poema de Goethe com o mesmo nome. É composto por uma melodia muito simples e concisa apresentada pela flauta no início e logo apropriada pelo piano que a enriquece com as suas harmonias. No último andamento sobressai uma melodia de carácter marcadamente popular em que cada um dos instrumentos tem uma parte igualmente interventiva.
O violinista e compositor checo Bohuslav Martinu nasceu na Boémia em 1890 e morreu na Suíça em 1959. Escreveu uma obra imensa para quase todos os géneros instrumentais e vocais. No âmbito da música de câmara deixou cerca de 90 composições, o que atesta a sua simpatia por este tipo de música, tendo escrito obras para formações muito diversas, de dois a nove instrumentos, e para combinações tímbricas igualmente variadas, juntando os sopros com as cordas, por vezes o piano, outras vezes a percussão e também novos instrumentos do século XX como as ondas Martenot. Este trio foi escrito em 1944 quando Martinu se encontrava em Nova York, fugido da ocupação alemã de Paris, tendo antes esperado em Lisboa por uma passagem para os Estados Unidos, país onde viveu entre 1941 e 1953. O presente trio é marcado pela linguagem neo-clássica que caracterizou uma parte substancial da composição musical francesa no período entre-guerras e que deixou marcas em Martinu quando foi para Paris estudar com Albert Roussel em 1923. Cabe ao piano o curto motivo que dá o tom ao primeiro andamento, logo seguido pela expansão do mesmo na flauta. Um breve trecho mais introspectivo quebra a animação geral do andamento em que prevalece a vivacidade inicial. Numa linguagem musical sempre muito clara, o piano abre o novo andamento com uma frase extensa, seguindo-se os restantes instrumentos num crescendo progressivo, findo o qual regressam ao ambiente inicial. Cabe agora à flauta iniciar o último andamento em forma ternária. A componente rítmica, à qual se associam diversas melodias, assume aqui um vigor particular.
O compositor e intérprete argentino Astor Piazzolla (1921-1992) tornou-se mundialmente famoso pela forma como soube combinar a linguagem do tango com a do jazz e da música erudita através do seu instrumento predilecto, o bandoneon (da família dos acordeãos), do qual fez um instrumento de concerto. As Quatro Estações Porteñas, escritas entre 1965 e 1970, foram concebidas originalmente como peças independentes para o seu quinteto (bandoneon, piano, violino, guitarra eléctrica e baixo eléctrico), embora Piazzolla as tivesse tocado por vezes no mesmo concerto. No título, Piazzolla faz uma homenagem a Vivaldi, nomeadamente às suas Quatro Estações. O seu estilo, com o uso expressivo das dissonâncias, as mudanças bruscas de andamento e compasso e o ritmo sincopado do tango, está muito presente nas quatro peças.
Maria José Artiaga


