30 ABRIL 21h30 | GRACIOSA | Centro Cultural da Graciosa
1
MAIO 21h30 | S. JORGE | Aud. Municipal de Velas CANCELADO
Recital de FAGOTE
E PIANO
Rui Lopes, fagote
Paulo Pacheco, piano
Programa
I
R. Schumann
E. Denisov
C. Saint-Saëns |
II
P. Hindemith
J. S. Bach
F. Chopin
J. Brahms
A. Tansman |
RUI LOPES
Rui Lopes estudou nas cidades de Basileia e Munique nas classes de Sergio Azzolini e Marco Postinghel. Tocou como 1.º Fagote na Orchestre de Paris, Camerata Bern, Zürcher Kammerorchester, Kammerorchester Basel, Ensemble Modern Orchestra, entre outras. Obteve o 1.º prémio no Concurso de Interpretação do Estoril/2008, participou em Festivais de Música como os de Schleswig-Holstein, Martinu, Davos e Lucerna e gravou um CD a solo para a DRS2, Rádio Clássica Suíça. É membro do Trio Almaviva, do Lucern Wind Ensemble e do Ensemble Laboratorium.
PAULO PACHECO
Paulo Pacheco, natural dos Açores (São Miguel), estudou piano nas classes de Graça Paiva Cunha e de António Teves no Conservatório Regional de Ponta Delgada. É licenciado pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou com Miguel Henriques, e obteve o mestrado em Piano Performance na Universidade do Norte do Texas, sob a orientação de Vladimir Viardo. Obteve o 1.º Prémio de Música de Câmara (nível superior) no Concurso Prémio Jovens Músicos/1999, o 3º Prémio no «Concerto Piano Competition MTNA», entre outros. Apresenta-se regularmente em recitais de música de câmara com o Trio.pt e com o flautista Nuno Inácio.
O Fagote é um instrumento de sopro de palheta dupla cujo antepassado directo remonta ao século XVI quando se chamava dulciana. Nessa altura era um instrumento constituído por uma só peça e tinha duas chaves. No século XVII o instrumento passa a ter três chaves e deixa de ser feito numa só peça de madeira para passar a ser constituído por quatro peças, tendo assim permanecido até aos nossos dias. Contudo, o âmbito sonoro torna-se mais alargado e ganha em expressividade. A partir de então começa a ser alvo de maior atenção por parte dos compositores que o integram nos seus trios assim como nas obras para orquestra. No século XVIII, Telemann e Vivaldi já lhe dão um papel solista e com Mozart ganha um papel de destaque ao potenciar a suas características sonoras e expressivas no seu concerto para fagote e orquestra em Si Bemol Maior, K. 191.
O ano de 1849 foi particularmente produtivo para Robert Schumann (Zwickau, Saxónia, 1810 - Endenich, perto de Bonn, 1856), tendo só nesse ano composto cerca de 40 obras, várias delas para grupos de câmara. Os três romances, oferecidos a Clara Schumann nesse Natal, foram escritos originalmente para oboé, mas, segundo o compositor, também podiam ser tocados pelo violino. Este género, derivado da romança que nos chegou do final do século XVIII, vem da canção acompanhada e caracteriza-se pela simplicidade da melodia e do acompanhamento, com um lirismo e uma expressividade muito acentuada. É essa a atmosfera das três peças que se vão ouvir, num andamento moderado, alternando a tonalidade menor da primeira e terceira com a tonalidade maior da segunda.
Edison Denisov (Tomsk, 1929 - Paris, 1996) foi um dos compositores mais importantes da geração pós-Chostakovitch, tendo tido um papel de relevo na divulgação que fez ao Ocidente dos compositores soviéticos. Estes Estudos, compostos em 1983 e dedicados ao famoso fagotista russo Valeriy Popov, pertencem ao período de maturidade do compositor. Terão sido compostos com um objectivo pedagógico, respondendo ao pedido da editora Deutsche Verlag für Musik que pretendia publicar uma colecção de obras solistas contemporâneas de estilos diversificados que introduzissem técnicas inovadoras para diversos instrumentos. É uma obra atonal mas não serial, que utiliza livremente as séries de doze notas da escala cromática.
Camille Saint-Saëns (Paris, 1835 - Argel, 1921), compositor, pianista, organista e ensaísta, compôs esta sonata no último ano da sua vida, junto com outras duas, para oboé e para clarinete. Com estas três obras pretendia fazer justiça a estes instrumentos de sopro que considerava terem caído no esquecimento do repertório de câmara. A presente sonata foi dedicada ao amigo August Périer, um professor de fagote no Conservatório de Paris. Apoiando-se numa estrutura clássica, esta obra é um paradigma da clareza, precisão, equilíbrio e lógica que o compositor advogava para a música francesa, tal como outros seus contemporâneos.
Paul Hindemith (Hanau, próximo de Frankfurt, 1895 - Frankfurt, 1963) foi compositor, teórico, professor, violetista e maestro. Na sua geração foi, com Kurt Weill e Hans Eisler, um dos compositores alemães mais representativos do período entre as duas grandes guerras. A sonata para piano e fagote, escrita em 1938, foi composta nos alvores da segunda Guerra Mundial e no ano em que emigrou, primeiro para a Suíça e depois para os Estados Unidos onde deu aulas na Universidade de Harvard. Nesta sonata em dois andamentos, o último dos quais dividido em diferentes partes, o compositor revela uma das principais características da sua escrita, a do uso de uma linguagem cromática num contraponto dissonante bem patente nos dois andamentos. O primeiro decorre à volta de dois temas numa linguagem atonal. O segundo apresenta movimentos contrastantes começando com um lento, ao qual se sucede o de marcha, um decidido, a pastoral, reinterpretando o material do primeiro andamento, e acaba com um movimento calmo.
A sarabanda em ré menor é o 3.º andamento da suite no. 1, género este composto de andamentos estilizados de danças. Faz parte de um conjunto de 6 suites, conhecidas como "Francesas". Foram escritas entre 1722 e 1725, quando J. S. Bach (1685-1750) esteve, primeiro, ao serviço da corte de Anhalt-Cöthen e, a partir de 1723, como Cantor na Igreja de S. Tomás em Leipzig. O que caracteriza a sarabanda é o seu ritmo ternário realizado a maioria das vezes num andamento lento e palaciano.
O Nocturno foi um dos géneros cultivado por Chopin (1810-1849) em que o compositor mais se aproximou da voz cantada e imprimiu um subjectivismo expressivo capaz de desencadear emoções fortes nos ouvintes, tendência essa que muito preocupava os músicos no começo do século XIX. Neste Nocturno Chopin vai para além desse objectivo, fazendo ouvir duas vozes numa textura contrapontística sobre o acompanhamento em arpejo em ritmos complexos.
O Intermezzo, podendo ter o carácter de interlúdio em obras de grande dimensão, foi igualmente utilizado como peça independente para piano durante o século XIX. O Intermezzo op. 118 no. 2, escrito num "andante terno", pertence a um conjunto de seis Intermezzos escritos nos últimos anos da vida de Brahms (1833-1897). A sua curta dimensão assim como o seu carácter intimista evocam as miniaturas de Schumann para piano. O lirismo da linha melódica esconde um trabalho motívico e um contraponto rítmico complexo, este último presente na sua parte intermédia.
Aleksander Tansman (Łódź, Polónia, 1897 - Paris, 1986), descontente com a crítica que o considerava demasiado ousado no seu país, decide partir para Paris onde fixa residência e obtém a nacionalidade francesa em 1938. Aí integrou-se rapidamente no círculo musical parisiense, onde conheceu Strawinsky. Com o advento da segunda Guerra Mundial deixa a França para ir para os Estados Unidos onde se fixa em 1941. Esta sonatina, de grande dificuldade técnica, explora, em breves minutos, as potencialidades do fagote. À pulsação rápida que o piano introduz logo no início, geradora da energia em que decorre a obra, associa-se a melodia sincopada e disruptiva no fagote. Passa-se, em seguida e sem interrupção, para uma secção lenta, em que o fagote mantém o estilo melódico acompanhado pelo pulsar do piano e volta-se a ouvir o tema inicial. Uma breve cadência dá início ao 2º andamento, com o solo do fagote cantando sobre os acordes do piano. Depois de uma breve transição realizada pelo piano, o fagote retoma a sua melodia, após o que ataca num ritmo frenético e repetitivo o último andamento.
Maria José Artiaga


