2 SETEMBRO 21h30 | PICO | Auditório Municipal das Lajes do Pico
3 SETEMBRO 21h30 | TERCEIRA | Igreja de Nossa Senhora da Guia
Recital de guitarra
Ruben Bettencourt, guitarra
Programa
K. Vassiliev
J. Turina
J. Rodrigo
F. de Lacerda *estreia nos Açores
A. Ginastera |
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RUBEN BETTENCOURT
Nascido em 1988, em Angra do Heroísmo, iniciou os seus estudos musicais aos 6 anos de idade, sob a orientação de Victor Castro. Entre 2006 e 2009 concluiu a licenciatura em Música na Universidade de Aveiro, nas classes de Paulo Vaz de Carvalho e de Pedro Rodrigues, na vertente de Guitarra Clássica, com a classificação de 19 valores. Actualmente encontra-se a terminar o mestrado no Conservatório de Maastricht (Holanda), sob a orientação dos Professores Carlo Marchione e Joaquín Clerch. Tem-se apresentado em concerto nos Açores e no Continente, bem como na Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Holanda, Sérvia e Croácia. Tem sido laureado em diversos concursos nacionais e internacionais tais como: I Concurso Luso-Espanhol de Fafe (2007, 1.º Prémio ex-aequo), o V Concurso Internacional de Guitarra de Leiria (2008, Menção Honrosa), Axis Gitaar Concours 2010 (Holanda, 4.º lugar), VII Concurso Internacional de Guitarra, Leiria (2010, 1.º Prémio e prémio de melhor intérprete de música portuguesa), IV Concurso Norba Caeserina, Espanha (2010, 2.º prémio), XI Concurso Internacional Comarca del Condado, Espanha (2011, Prémio do Público), World Guitar Competition 2011, Sérvia (2011, 2.º Prémio), Omis Guitar Festival 2011, Croácia (2011, 2.º Prémio) e Concurso de Guitarra São João da Madeira, Portugal (2011, 2.º Prémio).
Konstantin Vassiliev (n. 1970) estudou guitarra e composição na Rússia de onde é natural, tendo continuado os seus estudos na Alemanha. Nas suas composições utiliza muitas vezes vocabulário da música russa, em particular, a folclórica. Segundo testemunho do compositor, nesta obra pretendeu chamar a atenção para a poesia que se desprende da floresta, quer na sua acalmia quer na sua agitação, sugerindo uma analogia com a alma humana. As "Três pinturas da floresta" caracterizam-se musicalmente por uma linguagem repetitiva. O carácter impressionista da obra é acentuado pelo ambiente essencialmente contemplativo dos dois primeiros andamentos, criando um contraste absoluto com a atmosfera mais agitada do último andamento.
Joaquín Turina (Sevilha, 1882 - Madrid, 1949), compositor e pianista conceituado internacionalmente, começou os seus estudos em Espanha e prosseguiu-os em Paris com Moritz Moszkowski, em piano, e Vincent d'Indy, em composição. Foi amigo de Manuel de Falla e de Isaac Albéniz que o encorajou a voltar-se para a música tradicional espanhola. A Sonata para guitarra op. 61, de 1931, dedicada a Andrés Segóvia, é uma obra com três andamentos que reflecte tanto o folclorismo espanhol, tal como advogava Albéniz, como o modernismo musical francês.
Joaquín Rodrigo (Sagunto, 1901 - Madrid, 1999), compositor espanhol, iniciou os seus estudos musicais em Valência e prosseguiu-os em França com Paul Dukas. As suas obras revelam não só uma grande influência da música tradicional espanhola, nomeadamente da Andaluzia, como um grande apego à tradição clássica, no que se enquadra no ambiente neo-classicista do período entre-guerras. A Toccata é disso um exemplo, ao retomar um género dominante no período Barroco que se caracterizava por uma grande agilidade técnica e por uma forma bastante livre. Esta obra, escrita em 1933, foi a segunda que Joaquín Rodrigo escreveu para guitarra, tendo permanecido desconhecida do grande público durante muitos anos. Ao seu virtuosismo técnico aliam-se a variedade do tecido musical e diferentes andamentos e dinâmicas.
Natural da Ilha de S. Jorge, Francisco de Lacerda (1869 - 1934) fez os seus estudos musicais no Conservatório Real de Lisboa. Como pensionista do governo português parte para Paris em 1895 onde frequenta a Schola Cantorum dirigida por Vincent d'Indy. Em Paris convive com os principais compositores franceses do seu tempo. Torna-se regente de orquestra e afirma-se como maestro à frente de diversos agrupamentos orquestrais em França e na Suíça. Com a morte do pai, em 1913, Lacerda regressa aos Açores onde permanecerá durante 8 anos. Em 1923 funda, em Lisboa, a Pro Arte, Associação de Artistas Portugueses, e cria a orquestra Filarmonia de Lisboa. A partir de 1928 a sua saúde começa a fraquejar, acabando por morrer, em Lisboa, em 18 de Junho de 1934. Enquanto compositor deixou uma obra composta por peças para piano, canto e piano, orquestra e música de cena. A obra que se vai ouvir é um inédito sobre a qual ainda não se conhecem estudos ou gravações.
O compositor Alberto Ginastera (1916 - 1983) foi um dos mais aclamados compositores sul-americanos da segunda metade do século XX com uma obra de que fazem parte óperas, música para bailado e para filme, obras orquestrais e de câmara e uma única obra para guitarra, a Sonata op. 47 de 1976. Dedicada ao guitarrista brasileiro Carlos Barbosa-Lima, integra-se no seu último período compositivo que alguns autores situam entre 1976 e 1983 e classificam de neo-expressionista, fazendo uso de micro-tons, clusters, polimetria e outras técnicas pós-seriais. Os arpejos com que inicia o primeiro andamento são reflexo da intensa expressão que se desprende da obra. Segundo o autor, esta fase testemunha um regresso metafísico à América dos Maias, dos Aztecas e dos Incas. Dessa fusão, entre a tradição e a inovação, destaca-se a utilização dos ritmos sul-americanos, a exploração tímbrica do instrumento, os múltiplos efeitos percussivos, as texturas contrastantes e uma energia rítmica inspirada no folclore sul-americano. O primeiro andamento, tal como o nome indica, inicia-se com um prelúdio solene ao qual sucede uma canção inspirada numa música tradicional do sul dos Andes. O segundo andamento, segundo as indicações da partitura, deve ser tocado "tão depressa quanto possível" e com dinâmicas contrastantes. O terceiro andamento, Canto, encontra a sua atmosfera entre o lírico e o rapsódico e serve de ponte ao último andamento, Finale, onde o compositor evoca, num andamento frenético, o ritmo das pampas.
Maria José Artiaga


