18 NOVEMBRO 21h30 | TERCEIRA | Auditório do Ramo Grande


Recital de FLAUTA E PIANO

 

Rodrigo Lima, flauta transversal
Gustaaf van Manen, piano

 

 

 Programa

 

I


W. A. Mozart
Sonata no. 5 em Dó Maior, K. 14
Allegro
Allegro
Menuetto primo - Menuetto secondo en carillon

 

J. S. Bach
Sonata VI, em Mi Maior BWV 1035    
Adagio ma non tanto
Allegro
Siciliano
Allegro assai

 

R. Schumann
Drei Romanzen, op. 94
Nicht schnell (Moderato)
Einfach, innig (Semplice, Affectuoso)
Nicht scnhell (Moderato)

 

 

II

 

P. Gaubert
Madrigal 

 

C. Reinecke
Sonata "Undine"
Allegro
Allegretto vivace
Andante tranquillo
Allegro molto

 

 

 

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RODRIGO LIMA

Rodrigo Lima, natural da Praia da Vitória, iniciou os seus estudos musicais aos 9 anos de idade na Filarmónica União Praiense e, dois anos mais tarde, o Curso Complementar de Música no Conservatório Regional de Angra do Heroísmo, concluindo-o em 2002. Em 2004, ingressou na Academia Nacional Superior de Orquestra de Lisboa na classe de Flauta Transversal do Professor Nuno Inácio, concluindo a Licenciatura em Instrumentista de Orquestra em 2008. Tem-se apresentado em concerto integrado na Orquestra do Teatro Angrense, no Sexteto do Teatro Angrense, na Orquestra Sinfónica Juvenil de Lisboa, na Horta Camarata, na Orquestra Angra Jazz, na Orquestra Académica Metropolitana de Lisboa, na Orquestra Metropolitana de Lisboa e com a Orquestra Juvenil da Terceira, apresentou-se na qualidade de solista. Integrou o projecto desenvolvido pela Direcção Regional das Comunidades intitulado “Música em Viagem“ onde realizou uma digressão aos Estados Unidos.  Actualmente, é Professor da Classe de Flauta Transversal na Escola Francisco Ornelas da Câmara, Praia da Vitória.

 

GUSTAAF VAN MANEN

Nascido na Holanda, estudou na Universidade de Amesterdão e no Conservatório Superior da mesma cidade. Licenciou-se em Pedagogia da Música e Piano, em 1969, e frequentou e concluiu o curso de Bibliotecário (especialização na área de Música) em Utrecht em 1971. Trabalhou de 1972 até 1980 em Berlim e em Frankfurt, na área da edição de música, e foi professor-convidado de Piano no Conservatório Regional de Ponta Delgada, em 1980, e director do coro do mesmo estabelecimento de ensino. A partir de 1983 ensinou no Conservatório de Angra do Heroísmo e, entre 1985 e 1998, foi professor na Universidade dos Açores, ali havendo leccionado a disciplina de Pedagogia da Música no curso para professores do ensino básico e educadores de infância. Desde 2004 que se tem dado a ouvir em inúmeros concertos como pianista, organista e cravista, quer nos Açores, quer no Continente, quer ainda no estrangeiro, nomeadamente em Amesterdão, Caracas, Santa Lúcia e Frankfurt. Já colaborou com vários artistas nacionais e internacionais e é, actualmente, organista titular da Igreja do Colégio, em Angra do Heroísmo, e director musical da Igreja Católica e Evangélica da Base Aérea n.º 4 na Ilha Terceira.

A flauta transversal começou por conhecer o seu período de ouro em França no final do século XVII. Serão os músicos franceses a dá-la a conhecer aos alemães logo no início do século XVIII.
As primeiras fontes fazem referência à presença desses flautistas em Dresden, nas orquestras ou conjunto instrumentais alemães, desde 1709. A flauta transversal ganha rapidamente uma grande popularidade em vários países da Europa no século XVIII, destrona a flauta de bisel, rivaliza com o violino e desenvolve um mercado para a sua música quer entre os profissionais quer entre os amadores.
Quando Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) compôs esta sonata, originalmente, para violino e piano, tinha apenas 8 anos. Nesta época, o pequeno compositor,  a irmã e o pai percorriam as grandes capitais da Europa. Chegados a Londres, onde permanecerão durante 16 meses, foram imediatamente convidados para tocar para os soberanos ingleses. Nesta cidade, Mozart familiarizar-se-á com a música de Johann Christian Bach, um dos filhos de Johann Sebastian com quem conviverá. Este filho de Bach, professor de música da rainha, conhecido primeiro como o “milanês” e, depois, como o “londrino”, tinha absorvido com grande entusiasmo a música italiana e irá contribuir para a sua divulgação nos meios ingleses. A presente sonata reflecte muitas das características do estilo “galante” de Johann Christian, que se traduz, na obra presente, pela simplicidade do acompanhamento, pela ornamentação da melodia e pelos seus dois minuetes.
As primeiras composições de Bach a fazerem um uso destacado da flauta transversal foram as suas cantatas e o  5º concerto brandeburguês. Depois disso, só a explora verdadeiramente a partir de 1724, quando lhe reserva uma escrita tecnicamente mais exigente e sofisticada do que qualquer outro compositor da sua época. O género sonata, ao requerer que o compositor explore emoções diversas e contrastantes em cada um dos seus andamentos, permitirá ao compositor tirar o máximo partido do potencial técnico, tímbrico e expressivo da flauta. Nesta sonata, Bach mantém a mesma sequência de andamentos do género barroco sonata da chiesa (sonata de igreja), lento-rápido-lento-rápido, embora dando uma estrutura binária a cada um dos andamentos, o que não era habitual nesse tipo de sonatas. No 1º andamento adopta uma escrita quase improvisada, dotando a linha melódica da flauta de uma ornamentação muito rica. No 2º andamento, o ritmo utilizado evoca a dança francesa rigaudon. No 3º andamento, para além do ritmo pontuado característico da siciliana, Bach introduz uma escrita imitativa entre a parte da flauta e do baixo. O último andamento, tal como os outros dividido em duas partes, não é só o mais rápido como o mais virtuosístico.
Os três romances de Robert Schumann (1810-1856) foram escritos, originalmente, para oboé e oferecidos em 1849 como presente de Natal à mulher, a pianista e compositora Clara Schumann. O género romance, tal como o nome indica, apela a uma atmosfera pessoal e afectiva. Derivado do género vocal, caracteriza-se instrumentalmente por melodias de grande simplicidade e lirismo, particularmente adequadas a algumas “peças de carácter” escritas por Schumann. Nesta obra, assim como noutras que escreveu com as mesmas características em 1849, o compositor serve-se do mesmo tom (lá) para as unificar, variando unicamente o modo na parte central.
Philippe Gaubert (1879-1941), depois de estudar flauta no Conservatório de Paris, foi professor na mesma instituição e maestro da Ópera de Paris. No final da 1ª Grande Guerra dedicou-se à direcção do repertório contemporâneo tendo sido responsável pela 1ª audição de muitas obras. Compôs música de câmara na qual se contam não só obras para flauta como para outros instrumentos. Neste Madrigal é patente a influência de outros compositores franceses, nomeadamente Gabriel Fauré no que respeita ao desenho melódico.
O compositor alemão Carl Reinecke (1814-1910) foi também professor, pianista e maestro. A parte mais conhecida da sua obra foi a que escreveu para piano, para o qual explorou os mais diversos géneros em voga no século XIX, e com o qual realizou um dos ideais da sua época que foi o da música associada a um programa. A sonata para piano e flauta Undine é um dos exemplos mais consagrados desse ideal. Baseia-se na novela escrita em 1811 por Friedrich de la Motte que veio a ter uma grande popularidade durante o século XIX. O primeiro andamento refere-se ao mundo aquático de Undine, filha do rei dos mares, o qual abandona para procurar um amor terreno. O segundo andamento descreve a sua vida terrena, a sua relação com o casal que a encontra e educa. No andamento seguinte Undine encontra o amor e casa-se. No último andamento, o compositor dá a ouvir a dor de Undine que, depois de ser atraiçoada pelo marido, é obrigada a dar cumprimento a um castigo antes anunciado pelos espíritos aquáticos, um beijo que será fatal para o homem que a traiu.

 

Maria José Artiaga

 

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