11 NOVEMBRO 21h30 | FAIAL | Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta
Recital de piano
Joana Gama, piano
Alexandre Delgado, comentador
Programa
Franz Liszt
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JOANA GAMA
Natural de Braga, ingressou aos cinco anos de idade no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian onde estudou piano com Ema Pais Martins, Ana Rita Lima e João Paulo Teixeira. Prosseguiu os estudos na Royal Academy of Music (Londres) na classe de Vanessa Latarche e terminou a Licenciatura em Piano na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) na classe de Tania Achot em 2005. Em 2010, concluiu o Mestrado em Interpretação, sob a orientação de António Rosado e Benoît Gibson, na Universidade de Évora onde, em Outubro de 2011, foi admitida no programa de Doutoramento em Música e Musicologia. No Prémio Jovens Músicos (PJM) obteve o 1.º lugar na categoria de piano – nível superior (2008) e acompanhamento de piano (2005). Obteve ainda o 3.º lugar na categoria de música de câmara – nível superior (2004). No seguimento do PJM, foi solista com a Orquestra Gulbenkian e com a Orquestra do Algarve. A solo ou integrada em grupos de música de câmara apresentou-se em França (Chambéry e Toulouse), Bulgária (Sófia), Espanha (Valência e Salamanca), Inglaterra (Londres e Suffolk), Japão (Tóquio) e em salas portuguesas como a Casa da Música, Museu do Oriente, Palácio Foz, Museu Gulbenkian ou Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos. Recentemente integrou o Lisbon Ensemble 20/21, a Orchestrutopica e o Sond'-Ar-te Electric Ensemble.
ALEXANDRE DELGADO
Compositor e violetista, nasceu em Lisboa em 1965. Estudou na Fundação Musical dos Amigos das Crianças e foi aluno em composição de Joly Braga Santos e de Jacques Charpentier, tendo-se diplomado com o 1.º prémio de composição do Conservatório de Nice em 1990. Aluno em violeta de Barbara Friedhoff, foi vencedor do Prémio Jovens Músicos em 1987 e membro da Orquestra Juvenil da União Europeia e da Orquestra Gulbenkian. Entre uma abundante produção instrumental e vocal, é autor da ópera de câmara O Doido e a Morte (cuja estreia dirigiu no Teatro Nacional de São Carlos em 1994 e no Theater Am Halleschen Ufer em Berlim), do Concerto para violeta e orquestra (que estreou como solista em Portugal, Espanha e Holanda), da lenda Santo Asinha para barítono e orquestra (cuja estreia dirigiu em Alcobaça em 2010) e do ciclo Cinco Sonetos Quinhentistas (estreado pelo soprano Maria Bayo em 2011). Assina o programa A Propósito da Música na Antena 2 desde 1996 e é autor dos livros A Sinfonia em Portugal, A Culpa é do Maestro (crítica musical) e Luís de Freitas Branco, publicados na Editorial Caminho. Director do Festival de Música de Alcobaça desde 2002, é membro do Quarteto com Piano de Moscovo desde 2005 e free-lancer como instrumentista, conferencista e comentador de concertos.
Franz Liszt (1811-1886) nasceu numa região da Hungria que, depois da 1.ª guerra mundial, passaria para o domínio austríaco. Foi pianista, compositor, maestro e professor. Como pianista foi considerado o mais virtuoso do seu tempo, deixando obras de extrema dificuldade técnica. Como compositor foi audaz, tendo contribuído para as grandes transformações musicais que se haviam de processar no século XX. Como maestro divulgou as obras de alguns dos compositores mais marcantes da história da música ocidental, apoiou e deu a conhecer as vanguardas do seu tempo, nomeadamente a música de Wagner. Como professor, deu aulas a alunos vindos dos mais diversos países, entre os quais se contou o português Viana da Mota.
À semelhança de Mozart, Liszt foi reconhecido como uma criança prodígio e como ele, viajou com o pai por vários países europeus, apresentando-se como concertista. Foi o primeiro a tocar de memória todas as obras constantes de um concerto, a colocar o piano em palco de forma a que a tampa aberta do instrumento levasse a propagar melhor o som pela sala. Utilizou pela primeira vez a palavra recital para se referir ao preenchimento de um programa por um único intérprete ao contrário do que era costume até então.
A presente obra surge no período da sua vida em que decide viver na Suíça com a condessa Marie d’Agoult, uma mulher casada com duas filhas, com quem manterá uma relação de alguns anos e da qual terá três filhos. É durante a Primavera e Verão de 1835, quando ambos visitam o Lago Wallenstadt, a capela de William Tell e o vale de Chamonix, que nascerão as peças que formam o seu Álbum de viajante, publicado em 1842.
Nesta fase da sua carreira, Liszt terá sentido a necessidade de dar um novo rumo às suas obras de forma a que o compositor pudesse ter um reconhecimento igual ao do intérprete. As Cartas de um viajante, da escritora e amiga George Sand, levaram Liszt a realizar algo de semelhante na música, compondo um conjunto de peças atravessadas por uma “linha interior” que contribuiria para um todo homogéneo e orgânico. Quando retoma estas peças mais tarde, para as corrigir aumentar e transformar, substituindo o título Álbum de viajante pelo de Années de Pèlerinage, não são apenas os ecos da paisagem suíça que se fazem ouvir, como o diálogo que se estabelece entre o mundo exterior e interior do compositor. Ao primeiro volume, constituído pelos anos suíços, seguir-se-ão mais dois dedicados a Itália.
A primeira peça, “A Capela de Guilherme Tell”, precedida da expressão “Um por todos, todos por um”, surge num tom elegíaco. Segue-se “Au lac de Wallenstadt” que decorre num ambiente de placidez em que se destacam a singeleza da melodia e os ecos das vozes tirolesas. Na “Pastorale” mantém-se o mesmo ambiente agora dado por duas frases distintas, cada uma delas apoiada por um ostinato. “Au bord d’une source” sugere a Liszt cascatas de notas só possíveis de realizar musicalmente com uma sólida técnica pianística. A água é um tema caro ao compositor que o usa por duas vezes nestes ciclo e cujo tratamento musical poderá ter influenciado compositores como Debussy e Ravel. Segue-se “Orage”, uma peça marcada igualmente por um grande virtuosismo. “Vallée d’Obermann" é a mais extensa de todas, desdobrando-se em diversas secções marcadas por diferentes sequências agógicas, numa concepção quase sinfónica. Em “Églogue” volta-se a ouvir a atmosfera jovial e amena das primeiras peças com destaque para a melodia de carácter popular. Esta peça serve de transição a “Le mal du pays” com as suas frases entrecortadas. O ciclo acaba com “Les cloches de Genève” que celebram o nascimento da primeira filha de Liszt com a condessa Marie d’Agoult.
Versos de Senancour, Schiller e Byron antecedem algumas das peças, lembrando a importância que a literatura tinha para Liszt e para a sua música.
Maria José Artiaga


