2 DEZEMBRO 21h30 | S. MIGUEL | Teatro Ribeiragrandense

3 DEZEMBRO 21h30 | TERCEIRA | Palácio dos Capitães-Generais

Recital de VIOLONCELO E PIANO

Jan-Erik Gustafsson, violoncelo

Pavali Jumppanen, piano

 

 

 

 Programa

 

I

 

L. Janácek
"Pohádka" para violoncelo e piano
Con moto
Con moto
Allegro

 

L. van Beethoven
Sonata n.º 4 op. 102, n.º 1
Andante
Allegro vivace
Adagio
Allegro vivace

 

 

II

 

J. Sibelius
Suite n.º 2, op. 109 "A Tempestade" (W. Shakespeare), arr. Jussi Jalas
I. Chorus of the Winds
II. Dance of the Nymphs
III. Prospero
IV. Lied I and II
V. Miranda
VI. The Naiads

 

C. Debussy
Sonata para Violoncelo
I. Prologue: Lent, sostenuto e molto risoluto
II. Sérénade: Modérément animé
III. Final: Animé, léger et nerveux

 

 

 

camerata_alma_mater

 

JAN-ERIK GUSTAFSSON

Iniciou os seus estudos com Markku Luolajan-Mikkola no Instituto de Música de Helsínquia e diplomou-se, em 1992, no Instituto de Música Edberg, em Estocolmo. Já fez concertos com a mais reputadas orquestras ao nível internacional e desde 1994 que é representado pela agência americana YCA, apresentando-se nas principais salas europeias e dos EUA, como o Carnegie Hall, Alice Tully Hall, Brahms Hall, tendo colaborado com Pinchas Zukerman, Leif-Ove Andsnes, Arto Satukangas, entre outros. Gravou as sonatas para violoncelo de Szymanowski, Kodály e Schnittke para a etiqueta Ondine, gravação que foi distinguida como a melhor daquele ano (1994) pela Radiodifusão Finlandesa.

 

PAVALI JUMPPANEN

Iniciou os seus estudos no Instituto de Música «Espoo» e prosseguiu a sua formação como pianista na Academia «Sibelius», em Helsínquia. Entre 1997 e 2000 estudou com Krystian Zimerman na Academia de Música de Basileia, onde se diplomou com a máxima distinção. Apresenta-se regularmente em concerto nas principais salas, um pouco por toda a Europa, E.U.A., Japão e China. Para além da sua actividade como solista, recebeu diversos prémios pelas suas gravações, de onde se destaca a gravação das Sonatas para Piano de P. Boulez, para a etiqueta Deutsche Grammophon, que foi considerada “a melhor gravação, até aos dias de hoje, das obras para piano deste compositor.”

 

 

A obra Pohádka (normalmente traduzida como Conto de Fadas) do compositor checo Leos Janácek (1854-1928) baseia-se num conto russo que serviu igualmente de base ao bailado O Pássaro de Fogo de Igor Strawinsky. Apesar do tratamento musical ser totalmente diferente, em ambas se pode reconhecer uma ambiência mística. A presente composição, de 1910, sofreu vários arranjos, tendo o último sido publicado em 1924. A história conta a aventura do jovem Ivan e das numerosas provações por que passa quando se encontra preso por Kashey, o imortal. A filha deste apaixona-se por Ivan e, com a sua ajuda, consegue levá-lo à liberdade. A obra tem afinidades com a sonata clássica em três andamentos. Caracteriza-se por desenhos melódicos muito curtos que surgem sequencialmente e por justaposições, por vezes muito contrastantes, entre o piano e o violoncelo.

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) escreveu cinco sonatas para piano e violoncelo quando este último instrumento começava a perder a função de mero acompanhador para adquirir uma maior autonomia. As primeiras duas sonatas foram escritas em 1796, a terceira entre 1807-1808 e as duas últimas (op. 102 no. 1 e no. 2) em 1815. O ano anterior ao da composição da op. 102 no. 1, tinha sido de reconhecimento público e de uma situação financeira próspera. Já no final do ano seguinte, com a morte do irmão, Beethoven ficará responsável pela educação do sobrinho que lhe irá dar muitas preocupações. O ano de 1815 marca também o início de um novo tipo de escrita, mais complexo, que irá ser menos bem acolhido pelo público. A sonata que se vai ouvir foi dedicada à condessa Maria Erdödy, cuja família esteve por várias vezes ligada à obra de Beethoven. Nesta peça, dois andamentos lentos alternam com dois rápidos à maneira da sonata da igreja barroca. Apesar do contraste absoluto provocado por essa alternância, elementos motívicos do Andante inicial surgem na parte lenta do Adagio, criando uma unidade na obra. Beethoven sintetiza ao máximo os seus recursos, de forma a combinar a máxima expressividade com a maior economia de meios.

 

Jean Sibelius (1865-1957) foi o compositor finlandês mais proeminente do final do século XIX e primeira metade do século XX. Grande parte da sua obra foi escrita para orquestra, de onde se destacam 7 sinfonias, 12 poemas sinfónicos e idêntico número de peças de música incidental, ou seja, música escrita para diversas peças de teatro. A esta última categoria pertence a música que escreveu em 1925 para a peça de William Shakespeare “A Tempestade”, uma encomenda do teatro real de Copenhaga e da qual resultou uma obra composta por 34 números musicais para orquestra, coro e solistas vocais. Passados dois anos Sibelius procedeu à adaptação e redução dessa obra, da qual resultaram uma abertura e duas suites. A peça que se vai ouvir neste concerto é um arranjo que o músico finlandês e genro de Sibelius, Jussi Jalas, fez, da suite no. 2, para violoncelo e piano.

 

Claude Debussy (1862-1918) compôs três sonatas para conjuntos de câmara, apesar de inicialmente ter projectado seis. A presente sonata para violoncelo e piano, a primeira das três, data de 1915, ou seja do período final da sua vida. Nesta obra, de dimensão bastante curta, Debussy dá a primazia ao violoncelo, explorando uma vasta gama de recursos técnicos e expressivos que a tornam bastante exigente para o intérprete. O compositor chegou a escrever no manuscrito que o pianista não deve lutar contra o violoncelo mas sim acompanhá-lo. Composta por três andamentos, o primeiro relembra o barroco francês na solenidade da sua introdução. Posteriormente sobressai um tema elegíaco que irá ser retomado nos andamentos seguintes. A Serenade apresenta elementos que remetem para sonoridades estilizadas da guitarra espanhola, o que reflecte a sedução que vários compositores desta época tinham pela Espanha. Essa atracção verifica-se nos pizzicati e ritmos de habanera do violoncelo e nos efeitos de uma guitarra dedilhada. O Finale surge num tom “ligeiro e nervoso” marcado por andamentos contrastantes e por ritmos que voltam a ecoar motivos andaluzes.

 

Maria José Artiaga

 

VOLTAR AO TOPO