14 MAIO 21h30 | FAIAL | Teatro Faialense
15 MAIO 21h30 | S. MIGUEL | Audtitório Luís de Camões
Ensemble 20/21
Pedro Figueiredo, direcção
Programa
Manuel Durão
Cristóbal Halffter
Rogério Medeiros
Franco Donatoni
Ângela da Ponte
António de Sousa Dias
* Estreia Mundial
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ENSEMBLE 20/21
O Ensemble 20/21, fundado em 2003, é um grupo de música contemporânea que não tem um formato fixo, com uma base de 9 músicos, quarteto de cordas e contrabaixo, piano, flauta, clarinete e percussão. Nasceu da vontade de um grupo de músicos em se aproximar das linguagens e estéticas mais contemporâneas pelo desafio e desenvolvimento enquanto instrumentistas e da necessidade de realização de novos repertórios. Tem actuado por todo o país, promovendo assim alguma descentralização cultural e apostando na criação de novos públicos. É objectivo do Lisbon Ensemble 20/21 a curto prazo, ser estímulo para a criação musical, motivação para os compositores e meio de divulgação da música contemporânea lusófona. Tem a direcção musical do maestro e compositor, Pedro Figueiredo.
PEDRO FIGUEIREDO
Maestro e compositor, terminou o Curso Geral de Composição da Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa e concluiu o bacharelato em Composição na Escola Superior de Música da mesma cidade. Estudou com o professor e compositor Christopher Bochmann, com o compositor Emmanuel Nunes com quem trabalhou em Paris, tendo sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar nesta cidade onde realizou ainda, paralelamente, diversos cursos no IRCAM. Neste momento encontra-se a realizar um Doutoramento em Composição na Universidade de Évora. Da sua produção musical, salienta-se a obra «Ser» (2002) que estreou no Festival de Musica Contemporânea de Dunkerk, com a Orquestra Lírica de Paris. Em 1997 iniciou os estudos de Direcção de Orquestra no Conservatório de Dijon na classe do Maestro Jean Sebastian Béreau, tendo conquistado, em 2002, a medalha de ouro do concurso de finalistas do respectivo conservatório. Foi Maestro da Orquestra do Conservatório da Metropolitana, tendo dirigido também a Orquestra Sinfónica Juvenil e a Orquestra Jovens Músicos, entre outras. Actualmente é docente na Academia Nacional Superior de Orquestra, e na Escola de Música de Linda-a-Velha, onde lecciona Análise e Técnicas de Composição e dirige um Atelier de Música Contemporânea. Em 2003 fundou o grupo de música contemporânea Lisbon Ensemble 20/21, do qual é director musical.
A década de 80 representou um momento de viragem para a vida musical portuguesa com reflexos na criação musical. Foram vários os acontecimentos que contribuíram para uma mudança como, entre outros, o lançamento dos Encontros Gulbenkian de Música Contemporânea em 1977, a realização de Seminários de Composição regidos pelo compositor Emanuel Nunes na Fundação Gulbenkian em 1981, as “Jornadas de Música Electroacústica” e os “Seminários de Música Electroacústica” a partir de 1980, a criação em 1985 do grupo de teatro musical “ColecViva” por Constança Capdeville e a reforma dos currículos do curso de Composição. Um dos maiores responsáveis pela mudança verificada no ensino da composição foi o professor e compositor inglês Christopher Bochman, radicado em Portugal desde 1980. Como professor de composição, nos principais estabelecimentos de ensino de Lisboa, deu uma dinâmica à disciplina que se viria a revelar decisiva não só para a afirmação desta, como para a formação de uma vasto conjunto de jovens compositores. Com a instalação, em 1983, das Escolas Superiores de Música em Lisboa e no Porto o aparecimento de novos compositores portugueses tem sido uma constante no panorama nacional, de que é exemplo o conjunto de autores do concerto de hoje.
Manuel Durão (Lisboa, 1987), licenciou-se em composição na Escola Superior de Música de Lisboa e continuou os seus estudos na Escola Superior de Música e Teatro "Felix Mendelssohn Bartholdy" em Leipzig. Travessa da Espera (2006) é uma homenagem ao local (Lisboa, Bairro Alto) onde a Escola Superior de Música funcionou durante vários anos e evoca as ideias e sonhos aí vividos.
O compositor e maestro Cristóbal Halffter (Madrid, 1930), pertence a uma família de músicos de referência na história da música espanhola do século XX. Na sua obra teve sempre uma atitude aberta e exploratória face às diversas linguagens que se manifestaram ao longo de novecentos. Debla (1980), nas palavras do compositor, faz referência a uma das formas do folklore da Andaluzia, na qual o autor traça as seguintes características: tratar-se de um canto não acompanhado instrumentalmente, ser constituída por secções lentas e estáticas seguidas de outras muito rítmicas; o ritmo ser batido em palmas pelo cantor no ponto clímax da canção; fazer uso de intervalos de quarto de tom.
Rogério Medeiros (Ponta Delgada, 1979) é violoncelista e compositor, licenciado pela Escola Superior de Música de Lisboa, tendo já obtido 2 menções honrosas em concursos de composição. Na obra A Planta de Gilgamesh inspirou-se numa lenda em que o rei sumério Gilgamesh (representado pela viola) procura a imortalidade a partir das propriedades mágicas de uma planta (representada pelo vibrafone). Acaba por a perder, conformando-se com a mortalidade na qual irá reconhecer a beleza da vida humana. A obra retrata o momento em que Gilgamesh mergulha num mundo subaquático em demanda da planta mágica.
Franco Donatoni (Verona, 1927 – 2000) foi não só compositor como um professor influente nas várias instituições italianas onde deu aulas de composição. Frequentou e esteve em contacto directo com os principais músicos que passaram pelos afamados cursos de verão de Darmstadt, um local determinante para a composição logo a seguir à segunda guerra mundial. A obra Arpège (1986) é uma desconstrução do arpejo marcada por ataques incisivos, interrupções bruscas e cores caleidoscópicas.
Ângela da Ponte (Ponta Delgada, 1984), depois de se ter licenciado em composição na Escola Superior de Música de Artes e Espectáculo no Porto, continuou os seus estudos na Universidade do Texas e na Universidade de Birmingham (Reino Unido). Segundo a compositora, a obra Reflex II faz parte de um projecto desenvolvido em torno do fenómeno da reflexão. A ideia principal tem como base um vídeo que ela própria fez no Verão de 2009 em que a parte electrónica serve como suporte ao mesmo tempo que salienta a ideia/sensação de reflexão produzida pelo clarinete.
António de Sousa Dias (Lisboa, 1959) foi aluno de composição de Constança Capdeville no Conservatório Nacional e doutorou-se em musicologia na Universidade de Paris VIII. A sua já vasta obra inclui composições vocais, instrumentais e electroacústica, com particular incidência na música para cinema e televisão. Nas palavras do autor, Ressonâncias – Memórias (2003) é uma espécie de directório de todas as suas obras, de materiais que o têm acompanhado ao longo da vida. A obra parte de dois princípios interdependentes: o primeiro, toma como material de base outros materiais previamente gerados, alguns dos quais surgidos noutras obras, outros em obras por escrever, assumindo-se como um índice ou directório de um universo musical em permanente actualização. O segundo princípio acrescenta ao aspecto onírico o peso da memória como condicionador espácio-temporal para a construção de um presente.
Maria José Artiaga


