26 ABRIL 15h30 | S. MIGUEL | Auditório Luís de Camões (Concerto Pedagógico)
27 ABRIL 21h30 | S. MIGUEL | Igreja do Colégio
28 ABRIL 21h30 | PICO | Igr. Matriz da Madalena do Pico
29 ABRIL 14h00 | PICO | Aud. da Escola Básica e Secundária de São Roque do Pico (Concerto Pedagógico)

CAMERATA ALMA MATER

Pedro Neves, direcção

 

 

Programa

 

E. Grieg
A Morte de Ase, op. 46 (da Suite do Peer Gynt)

 

A. Schoenberg
A Noite Transfigurada, op.4
Grave - Molto Rallentando - Pesante - Adagio - Adagio molto tranquilo

 

E. Grieg
Holberg Suite, op. 40
Prelúdio
Sarabande
Gavotte-Musette
Air
Rigaudon

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CAMERATA ALMA MATER

Com um olhar único sobre o repertório para cordas, a Camerata Alma Mater propõe a dinamização e o desenvolvimento da música existente no seio da mesma família de instrumentos: as cordas. A amplitude do projecto abrange os vários períodos da história da música, tornando relevante a produção musical actual. Na base da sua criação persiste a ideia do estímulo da tradição dos instrumentos de arco, que no nosso país ainda é pequena, contudo em grande crescimento. Pretende também a criação de um íman entre o público e a música, apostando na qualidade e profundidade da nova geração de instrumentistas, através da qual dá a conhecer a essência e a alma do agrupamento de cordas. É constituída por músicos premiados em vários concursos e já com um percurso profissional de alto relevo, criando um conjunto camarístico de grande coesão musical. Tornar a música a mãe do conhecimento artístico é o nosso objectivo.

Pedro Neves

 

Violinos I

Ana Pereira

Aníbal Lima

David Ascensão

Vítor Vieira

Violinos II

Ana Filipa Serrão

José Teixeira

Juan Maggiorani

Violas d'arco

Joana Cipriano

Jorge Alves

Sandra Martins

Violoncelos

Carolina Matos

Marco Pereira

Paulo Gaio Lima

Contrabaixo

Raquel de la Cruz

 

PEDRO NEVES

Nascido em 1975 em Águeda, matriculou-se no Conservatório da cidade de Aveiro, onde estudou Violoncelo sob a orientação de Isabel Boiça. Mais tarde ingressou na Academia Nacional Superior de Orquestra, em Lisboa, na classe de Paulo Gaio Lima, onde concluiu o grau de bacharelato em 1996. No mesmo ano obteve uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian para continuar o seu aperfeiçoamento artístico junto de Marçal Cervera, na Escola de Música «Juan Pedro Carrero», em Barcelona, onde se manteve até 1999. Paralelamente frequentou masterclasses regidas por Maria de Macedo, Paulo Gaio Lima, Daniel Grosgurin, Marçal Cervera e Anner Bylsma. Depois de se ter licenciado em Direcção de Orquestra junto de Jean-Marc Burfin, aprofundou os seus conhecimentos com Emilio Pomarico, em Milão, e frequentou masterclasses ministradas por Alexander Polishcuk. Em 2006 e 2008 desempenhou a função de maestro assistente de Michael Zilm, na execução de A Sagração da Primavera (I. Stravinski), Totenfeier (G. Mahler) e «Danças Sinfónicas», de West Side Story (L. Bernstein), e participou em 2008 no festival de música contemporânea Outono de Varsóvia, na Polónia, na realização de Hymnen de Karlheinz Stockhausen. Pedro Neves é actualmente professor na Academia Nacional Superior de Orquestra e maestro titular da Orquestra Clássica de Espinho, além de fundador da Outrarte, associação musical multidisciplinar.

Edvard Grieg (Bergen, 1843 - 1907) foi o mais célebre compositor norueguês, conhecido por pertencer, como muitos compositores românticos da sua geração, ao movimento que utilizou a música tradicional num contexto erudito como uma forma de expansão da linguagem musical.
A Morte de Ase pertence à suite do Peer Gynt, obra escrita originalmente para a peça homónima de Henrik Ibsen, a qual foi estreada em Oslo em 1876. Sobre essa composição, Grieg fez duas suites, sendo a peça que se vai ouvir a segunda da suite n.º 1, de 1888. A cena representa a morte da mãe do herói, Peer Gynt. Este andamento, escrito para o naipe das cordas, assenta sobre um tema plangente, construído sobre três notas, que se repete ao longo de uma estrutura em duas partes quase simétrica, quer quanto às frases que a compõem, quer quanto à sua forma global, a primeira em movimento ascendente, a segunda em movimento descendente. Nela sobressai o lirismo que tanto celebrizou o seu autor. 
O género musical suite se, no Barroco, designava uma sucessão de peças instrumentais em forma ou estilo de dança, mais tarde veio a designar um conjunto de peças normalmente retiradas de uma obra mais longa, uma ópera ou um bailado, com o objectivo de facilitar a sua execução por um conjunto instrumental. A este último caso pertence a popular obra Peer Gynt.
A suite op. 40, designada “Segundo o tempo de Holberg”, é composta por 5 andamentos e replica o modelo barroco no que respeita às danças que a constituem: Prelúdio, Sarabanda, Gavotte-Musette, Air, Rigaudon. Foi escrita para comemorar o 200º aniversário do nascimento do escritor Ludvig Holberg (Bergen, 1684 – Copenhaga, 1754), natural da mesma cidade que Grieg. O compositor terá escolhido o género suite para reflectir o período em que Holberg viveu. Esta obra para orquestra de cordas é uma adaptação da peça original para piano, escrita em 1884. Se, por um lado, conserva as características estilísticas das danças, por outro, está imbuída do espírito e linguagem do seu tempo, tornando-se uma das peças mais populares do autor.

 

Arnold Schoenberg (Viena, 1874 - Los Angeles, 1951) foi uma figura incontornável para a música do século XX, acima de tudo como compositor, mas também como teórico, ensaísta e professor que marcou muitas das gerações que lhe sucederam. Com ele são definidos os princípios de uma nova gramática musical que elege a escala cromática como base da composição musical, dando origem à música serial. O poema sinfónico Verklärte Nacht  (Noite Transfigurada) para sexteto de cordas (1899), com arranjo para orquestra de cordas de 1917 e 1943, respectivamente, baseia-se no poema Weib und Welt (Mulher e Mundo) de Richard Dehmel, um escritor alemão contemporâneo de Schoenberg. O poema fala de uma mulher que confessa ao amante que a criança que espera não é dele. Este aceita-a e perdoa-lhe. Insere-se no que foi designado por música programática, isto é, música instrumental subordinada a uma ideia exterior (um poema, um quadro, uma pessoa, …). O conceito de música programática representou, em meados do século XIX, um género de vanguarda apoiado por músicos como Liszt, Wagner, Richard Strauss e outros. Esse mesmo ideal é prosseguido por Schoenberg, o qual constituirá um elemento de ligação entre a geração passada e a futura com a qual a música programática irá perder o prestígio antes alcançado. Se nesta obra, o compositor austríaco ainda reflecte a herança alemã, nomeadamente de Brahms e Wagner, por outro, utiliza uma profusão de cromatismos, entretecidos num densíssimo contraponto, que o levará, nos anos subsequentes, para um radicalismo inaudito com a total emancipação da dissonância nas suas composições, por volta de 1908. A estrutura da obra, em 5 partes, segue a do poema que lhe serviu de origem, composto por 5 estrofes. Neste drama musical sem palavras, os contrastes ao nível da textura e da tonalidade encontram um equilíbrio nas relações subtis entretecidas pelos temas, num contraponto cerrado e complexo, a partir da variação contínua e sucessivamente complexa dos elementos motívicos e temáticos de base. O poema sinfónico Verklärte Nacht, depois de ter sido apresentado a uma sociedade de concertos para ser executado, foi rejeitado com o pretexto de nele se encontrar um erro de harmonia. A partir de então, os escândalos com as suas obras nunca mais pararam.

Maria José Artiaga

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