23 SETEMBRO 21h30 | TERCEIRA | Igreja Matriz da Praia da Vitória

24 SETEMBRO 21h30 | S. MIGUEL | Igreja de S. Pedro de Vila Franca do Campo

 

Concerto de ÓrgÃo e
Quarteto de Cordas

 

Quarteto Arabesco
     Denys Stetsenko, violino
     Raquel Cravino, violino
     Lúcio Studer, viola d’arco
     Ana Raquel Pinheiro, violoncelo

Rui Paiva, órgão

 

 

 

 Programa

 

 

Lodovico Viadana
Sinfonia «La Padovana»

 

Ruggiero Trofeo
Canzon XIX a 8

 

Johann Rosenmuller
Sonata Settima à 4

 

Francisco Correa de Arauxo
Três Glosas sobre o Canto Chão da Imaculada Conceição

 

Joseph Haydn
Concerto para órgão em Dó Maior, Hob. XVIII/10
Allegro di molto – Largo – Presto

 

Girolamo Frescobaldi
Aria detto Balletto

 

Henry Purcell
Chaconne em Fá Maior

 

Georg Friederich Haendel
Concerto para órgão em Sol menor, op. 4 n.º 3
Adagio – Allegro – Adagio – Allegro

 

 

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RUI PAIVA

Rui Paiva concluiu o Curso de Órgão do Conservatório Nacional de Lisboa sob a orientação de Joaquim Simões da Hora. Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, prosseguiu os seus estudos na classe de Montserrat Torrent no Conservatório Superior de Barcelona. Concluiu com distinção a licenciatura em Órgão e Cravo no Conservatório Superior de Saragoça sob orientação de José Luis González Uriol. Tem-se apresentado em concerto um pouco por toda a Europa, E.U.A., Brasil e México. Realizou gravações de recitais para a Radiodifusão Portuguesa, Rádio Nacional de Espanha e RTV Slovenia, e diversas gravações discográficas de música portuguesa. Actualmente é director da Academia de Música de Santa Cecília e professor de Órgão no Conservatório Nacional de Lisboa.

 

Quarteto Arabesco

Formado em 2006, o Quarteto Arabesco tem a particularidade de se dedicar nomeadamente à música dos períodos barroco e clássico e de a interpretar utilizando instrumentos da época. Este agrupamento é constituído por Denys Stetsenko (violino I), Raquel Cravino (violino II), Lúcio Studer (viola d’arco) e Ana Raquel Pinheiro (violoncelo). Tem-se apresentado nos principais festivais e salas do país, tendo já realizado mais de cem concertos. O interesse pelos manuscritos e a investigação de alguns repertórios têm sido orientados por grandes mestres tais como Richard Gwilt, Enrico Onofri, Gaetano Nasillo e Alfredo Bernardini.


Foi no Renascimento que os primeiros géneros instrumentais começaram a ganhar autonomia, primeiro a partir da música para dança e, seguidamente, emancipando-se desta. A essa autonomia junta-se a importância de alguns construtores de instrumentos de corda, como os Stradivarius ou Guarnieri, que farão da família dos violinos uma das mais destacadas do período Barroco. Quanto ao órgão, o único instrumento tolerado pelo movimento da contra-reforma na Igreja, ultrapassará o âmbito da música sacra para se afirmar igualmente na música profana.

 

Lodovico Grossi (ca. 1560-1627) que escolheu o nome Viadana depois de entrar na Ordem dos Observantes menores, exerceu a sua actividade musical em diversas cidades italianas. Na sua obra destaca-se a música vocal, em particular o concerto vocal com baixo contínuo, para o qual deu um contributo decisivo. A Sinfonia "La Padovana" pertence a um conjunto de sinfonias denominadas de acordo com diversas cidades italianas (A Romana, A Genovesa, …). A sua escrita remete para a canzona instrumental que se caracterizava por uma introdução em estilo imitativo.

 

Ruggiero Trofeo (ca. 1550-1614), outro compositor de Mântua, foi organista em diversas catedrais italianas e mestre de capela da corte de Sabóia. As canzonas de Trofeo caracterizam-se por uma textura transparente e uma estrutura clara. A décima nona que se vai ouvir, apresenta essas mesmas características num estilo vertical com predomínio da melodia.

 

O alemão Johann Rosenmuller (1619-1684), organista, trombonista e compositor, passou grande parte da sua vida em Itália, tendo trabalhado no Ospedale della Pietà e na catedral de S. Marcos em Veneza. No fim da sua vida regressou à Alemanha onde contribuiu para a penetração do estilo italiano neste país. A presente sonata é constituída por seis andamentos onde alternam andamentos rápidos com lentos, e texturas horizontais, em estilo fugado, com texturas homofónicas. Nos andamentos lentos (à excepção do primeiro) utiliza compassos ternários e nos andamentos rápidos compassos binários, num constante contraste tão característico do Barroco.

 

O compositor, organista e teórico Francisco Correa de Arauxo (1575-1654) foi um dos principais músicos a introduzir o estilo Barroco em Espanha e um dos poucos organistas espanhóis a publicar um conjunto significativo de composições para órgão. O termo glosa diz respeito a uma técnica de composição utilizada pelos músicos espanhóis no séc. XVI e consistia, na sua origem, numa forma de ornamentação da melodia, que evoluiu para um tipo de variação. Tal como o nome desta obra indica, a primeira melodia apresentada será objecto de três variações.

 

Quando Joseph Haydn (1732-1809) escreveu a obra que se vai ouvir (provavelmente em 1756), a sua actividade musical encontrava-se num crescendo e a sua fama expandia-se. Podendo ser igualmente tocado em cravo, o concerto para órgão revela um estilo galante que faz lembrar o de alguns filhos de Johann Sebastian Bach, nomeadamente Johann Christian Bach.

 

Girolamo Frescobaldi (1583-1643) foi um compositor e organista italiano que trabalhou em Antuérpia e em várias cidades italianas e um dos primeiros compositores a dedicar uma total atenção à música instrumental. Explorou todos os géneros musicais em voga no seu tempo, para instrumentos de tecla, os quais mais do que imitar recriou. A Aria detto Balletto é composta por uma sucessão de variações em que um conjunto de ideias musicais se entrecruzam.

 

Henry Purcell (1659-1695) foi o compositor mais proeminente do Barroco inglês. A par de muita música dramática escreveu igualmente muita música instrumental. A chaconne, que dá o título a esta obra, uma dança originalmente em ritmo ternário e normalmente executada num andamento rápido, também faz uso da variação.

 

Nos seus concertos de órgão, Georg Friederich Haendel (1685-1759) conseguiu reunir o seus dotes quer de intérprete como de compositor. O concerto para órgão op. 4, no. 3, escrito por volta de 1735, pertence a um conjunto de seis concertos para esse instrumento escritos para serem tocados nos intervalos das suas oratórias no Covent Garden em Londres, onde Haendel exibiu igualmente os seus dotes de improvisador.

 

Maria José Artiaga

 

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