10 SETEMBRO 21h30 | TERCEIRA | Auditório do Ramo Grande 

11 SETEMBRO 21h30 | FAIAL | Teatro Faialense

 

Recital de
FLAUTA E PIANO

 

Adriana Ferreira, flauta transversal

Isolda Crespi Rubio, piano

 

 

 Programa

 

I

 

G. Ph. Telemann
Fantasia n.° 10 em Fá Sustenido Menor, para flauta solo
A tempo giusto
Presto
Moderato

 

J. Andersen
Ballade et Danse des Sylphes, Op. 5

 

 

II

 

M. Bonis
Sonata para flauta e piano em Dó Sustenido Menor, Op. 64
Andantino con moto
Scherzo : Vivace
Adagio
Finale : Moderato

 

A. Delgado
The Panic Flirt, para flauta solo

 

S. Prokofieff
Sonata para flauta e piano em Ré Maior, Op. 94
Moderato
Scherzo: Presto
Andante
Allegro con brio

 

 

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ADRIANA FERREIRA

Concluiu o Curso de Instrumentista na Escola Profissional Artística do Vale do Ave (Artave) na classe da professora Joaquina Mota, com a classificação de 20 valores, tendo-lhe sido atribuído um Prémio de Mérito pelo Ministério da Educação e o Prémio Dra. Manuela Carvalho. Aos 17 anos foi admitida no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, onde estuda actualmente, na classe de Sophie Cherrier, Vincent Lucas (Flauta) e Pierre Dumail (Flautim), obtendo sempre as máximas classificações. Integrou e colaborou com diversas formações, como a Orquestra de Jovens da UE, Orquestra Gulbenkian e Orquestra de Paris. Obteve o 1° Prémio numa dezena de concursos da especialidade, entre os quais o Prémio Jovens Músicos RDP, Concurso Internacional de Kiev, Concurso de Interpretação do Estoril (além do Prémio do Público) e o Concurso Nacional de Flauta, em França. Actualmente, para além da gravação do seu primeiro CD, a sua agenda conta com Carta Branca para recitais e concertos em diversos festivais, onde irá colaborar com a Orquestra da Ópera de Paris e a Limburgs Symphony Orchestra, entre outras. Paralelamente, frequenta uma Licenciatura em Musicologia na Universidade Paris-Sorbonne, sendo bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian desde 2008. Obteve recentemente o 1° Prémio e dois Prémios Especiais (Prémio da Odense Symphony Orchestra e Prémio do Júri de Jovens Flautistas) no Concurso Internacional Carl Nielsen, na Dinamarca.

 

ISOLDA CRESPI RUBIO

Nasceu em Barcelona onde iniciou os seus estudos de Piano na Escola de Música Orfeó Gracienc com as professoras Carme Codina e Teresa Ruiz. Em 2000, obteve o Diploma de Professora de Piano no Conservatório Municipal de Música de Barcelona e terminou a Licenciatura em Cinema e Audiovisuais na Escola Superior de Cinema e Audiovisuais da Catalunha. Em 2004, licenciou-se no Royal College of Music de Londres onde estudou sob a orientação do professor John Barstow. Apresentou-se em recitais, como solista e pianista acompanhadora, em Espanha, Portugal, França, Suíça, Reino Unido e Coreia do Sul. Em 2002 obteve o primeiro prémio no Concurso de Música Contemporânea para Piano no Royal College of Music. Gravou dois CDs com obras para dois pianos para a etiqueta GuildMusic. Foram-lhe atribuídas as bolsas da Generalitat de Catalunya e de AIE (Sociedad de Artistas Intérpretes o Ejecutantes de España) e foi escolhida pela INJUVE (Instituto Nacional da Juventude) para participar nos Circuitos de Música INJUVE 2005/2006 com o seu duo de clarinete e piano (Dúo Mecina). Actualmente é professora de piano e pianista acompanhadora na Escola Profissional Artística do Vale do Ave (ARTAVE).


 

Georg Philipp Telemann (Magdeburg, 1681 - Hamburg, 1767) foi um compositor prolífico e um dos mais célebres do seu tempo. A sua obra abrange os géneros mais comuns do seu tempo como óperas, cantatas, oratórias, missas, outros géneros sacros e música instrumental. A Fantasia n° 10 em Fá# menor faz parte de um conjunto de 12 Fantasias que Telemann compôs para flauta solo entre 1732-1733. Escritas em doze tonalidades diferentes, como foi prática de alguns compositores desta época, nomeadamente J. S. Bach, que pretendiam explorar as várias potencialidades do sistema tonal, caracterizam-se por uma grande variedade, em termos: dos afectos representados, das métricas, ritmos e andamentos. O 1º andamento encontra-se num ritmo ternário, característico da Corrente, dança que fazia parte da suite. O 2º andamento contrasta com o primeiro por um andamento mais rápido e pelo ritmo binário. No último andamento volta-se a ouvir um andamento moderado em ternário. Apesar de se tratar de uma única linha melódica, a harmonia está implícita nos três andamentos, mostrando assim que a flauta não perdia em actuar como um instrumento solista.

 

Carl Joachim Andersen (Copenhaga, 1847 – Copenhaga, 1909) foi um flautista, compositor e maestro dinamarquês. Começou a sua carreira tocando na Orquestra Real Dinamarquesa, passando, em seguida, por outras orquestras como a Filarmónica de S. Petersburgo e a orquestra da Ópera Real de Berlim. Nesta cidade fundou, com outros músicos, a conhecida Filarmónica de Berlim. No final da sua vida criou uma escola de orquestra em Copenhaga que dirigiu e onde deu aulas.
A obra que se vai ouvir baseia-se num tema muito caro aos românticos, o dos seres imaginários, no caso presente as sílfides que, no século XIX, deram origem a outras obras como o famoso ballet A Sílfide, com coreografia de Filippo Taglioni, estreado na Ópera de Paris em 1832, mas também ao ballet As Sílfides, com música de Chopin, coreografado por Fokine para os Ballets Russes e estreado no Teatro Châtelet em Paris em 1909. A peça para flauta e piano começa por evocar esse ambiente imaginário num Andante sostenuto com carácter misterioso, para logo passar para um ambiente mais fulgurante de passagens rápidas assentes em movimentos escalares ascendentes e descendentes.

 

Melanie Helene Bonis (Paris, 1858 – Sarcelles/Val-d’Oise, 1937) ficou conhecida sob o pseudónimo Mel Bonis para evitar a sua identificação como mulher numa época em que só aos homens era reconhecido a profissão de compositor. Graças a Cesar Franck conseguiu ser admitida no Conservatório de Paris, uma escola também ela dominada pelos homens. Teve uma carreira acidentada, devido a circunstâncias familiares, mas deixou uma obra abundante na qual se contam obras para piano, orgão, música de câmara, música coral e orquestral. Esta sonata para flauta e piano foi composta em 1904 e dedicada a um conhecido flautista e seu amigo, Louis Fleury. Ao longo dos seus 4 andamentos há um diálogo constante entre o piano e a flauta, onde se destacam o curto motivo em tercinas no 1º andamento e o motivo construído sobre escalas de sonoridades «exóticas» no ultimo andamento.

 

Alexandre Delgado, nascido em Lisboa em 1965, tem tido uma carreira activa e polifacetada em domínios como a interpretação, enquanto co-fundador e violetista do quarteto Lacerda, como compositor, autor de programas na RDP-Antena 2, de livros e ensaios e director artístico do Festival de Música de Alcobaça. Em todas as suas actividades tem colocado um enorme empenho na divulgação da música portuguesa. Como compositor, escreveu obras vocais, para diversos conjuntos instrumentais, para instrumentos solistas, orquestra, música de cena e ópera. Dos vários géneros cultivados considera que a música de câmara e a ópera são as suas “grandes paixões”.
A obra The Panic Flirt, para flauta solo, é de 1992. Numa entrevista, o músico diz esforçar-se para que a sua música não tenha o hermetismo das obras mais vanguardistas da 2ª metade do século XX, preferindo criar referências que sejam percepcionadas quer pelo intérprete quer pelo ouvinte.

 

A sonata para flauta e piano de Sergei Prokofiev (Sontsovka, Ukrânia, 1891- Moscovo, 1953) foi escrita durante os anos da 2ª Guerra mundial, encontrando-se o compositor então nos montes Urais. Durante esse período de conflito, o músico escreverá não só obras de carácter propagandístico, tendo como tema os acontecimentos da guerra, como obras de câmara. A sonata para flauta e piano, de 1943, obteve um sucesso imediato que levou o violinista David Oistrakh a pedir-lhe uma nova versão para violino. O primeiro andamento segue a forma clássica da forma sonata com a apresentação de dois temas. O Presto, em que se destaca um jogo rítmico animado entre os dois instrumentos, é interrompido por uma curta secção central de carácter mais introspectivo, regressando, depois, ao jogo rítmico inicial. O andamento seguinte apresenta uma melodia expressiva apresentada pela flauta, a que se segue uma secção mais animada, retomando, a seguir, o carácter inicial. A sonata acaba com um rondó de estilo paródico e carácter enérgico.

 

Maria José Artiaga

 

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