28 MAI 21h30 | TERCEIRA | Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo
29 MAI 21h30 | S. MIGUEL | Igreja do Colégio - Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado

 

Trio.pt

Pedro Morais Andrade, violino

Paulo Gaio Lima, violoncelo

Paulo Pacheco, piano

 

Programa


Anton Stepanovitch Arenski
Trio de Piano n.º 1, em Ré Menor, op. 32
Allegro moderato-Adagio
Scherzo: Allegro molto
Elegia: Adagio
Finale: Allegro non troppo-Adagio-Allegro molto

 

Johannes Brahms
Trio de Piano n.º 2, em Dó Maior, op. 87 Allegro
Andante com moto
Scherzo: Presto
Finale: Allegro giocoso

 

trio.pt

 

TRIO.PT

Formado em 2006 por músicos portugueses, o Trio.pt já se apresentou no Festival Internacional de Música de Guimarães, na Temporada de Música de Belgais, no Festival de Música de Vila Flor, no Museu Gulbenkian e no Instituto Franco-Português.

 

PEDRO MORAIS ANDRADE

É um dos mais destacados violinistas portugueses da sua geração. Foi aluno de Alberto Gaio Lima na ARTAVE. Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, estudou no Conservatório Nacional Superior de Música de Lyon e na Universidade de Artes de Berlim com Pavel Vernikov e Bernhard Hartog. Violinista premiado, tem-se apresentado em palcos internacionais a solo e em formações de câmara.

 

PAULO GAIO LIMA

Foi aluno de Madalena Costa no Conservatório de Música do Porto e de Maurice Gendron no Conservatório Superior de Paris. Apresentou-se a solo e com formações de câmara em inúmeros festivais em Portugal e no estrangeiro. Pedagogo com méritos reconhecidos e com alunos premiados, é docente na Academia Nacional Superior de Orquestra e na Universidade de Évora.

 

PAULO PACHECO

Natural dos Açores (São Miguel), formou-se no Conservatório Regional de Ponta Delgada, nas classes de Graça Paiva Cunha e de António Teves. É licenciado pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou com Miguel Henriques, e obteve o mestrado na Universidade do Norte do Texas, sob a orientação de Vladimir Viardo. Laureado no Prémio Jovens Músicos, apresenta-se a duo com o flautista Nuno Inácio e é fundador dos agrupamentos Triunvirato e Trio «Max Bruch».

 

A música de câmara

As duas obras que se vão ouvir, incluem-se no género habitualmente designado por música de câmara. Tendo sido objecto de diferentes significados ao longo do tempo, com o século XIX o termo veio a designar pequenos grupos instrumentais como duos, trios, quartetos e outros agrupamentos cuja música era desprovida de qualquer carácter descritivo, valendo apenas por si. Desde meados do século XVIII que este tipo de música era praticado por amadores no domínio privado, sendo objecto de culto entre os apreciadores que o consideravam, entre os vários géneros, o mais erudito e elitista. Com a acessibilidade cada vez maior da burguesia aos bens de consumo, nomeadamente às salas de concerto, a música de câmara vai passar gradualmente da esfera privada para o domínio público. O aparecimento mais regular de músicos profissionais neste tipo de reportório irá contribuir, no final do século XIX, para que a música de câmara passe a constar dos programas de concerto com maior frequência, tal como vinha acontecendo com outros géneros musicais desde o início de oitocentos. Se Haydn, Mozart e Beethoven foram os modelos para os músicos românticos, Schubert, Schumann e Brahms vão ser os seus principais herdeiros. No caso de Brahms (1833-1897), a música de câmara passa a ser objecto de maior atenção a partir de 1864, quando já se encontra no auge da maturidade. As 24 obras de câmara que escreveu para diferentes conjuntos instrumentais, constituem um paradigma deste género musical no final do século XIX.

 

Anton Stepanovitch Arenski, Trio de Piano n.º 1, em Ré Menor, op. 32

Anton Stepanovitch Arenski (1861-1906), compositor, pianista e maestro russo, estudou com Rimski-Korsakoff e foi professor de Rachmaninoff e Scriabine. O trio para piano, violino e violoncelo, composto em memória do violoncelista Davidoff seu amigo, a quem o terceiro andamento, uma Elegia, presta homenagem, tornou-se uma das suas obras mais conhecidas. Apesar da aprendizagem feita com o autor da suite Scheherazade, é de Tchaikowski que terá recebido mais influências. A vertente acentuadamente melódica deste trio, o papel de acompanhamento dado ao piano e o tecido menos denso da obra, criam um contraste com a composição anterior. O primeiro andamento apresenta três temas distintos expostos sucessivamente pelo violino, pelo violoncelo e pelo piano, os quais se voltam a ouvir desenvolvidos na secção intermédia e reaparecem na secção final. O segundo andamento, iniciado por um curtíssimo motivo no violino, a que se seguem torrentes de notas no piano, põe em evidência um carácter brincalhão em contraste absoluto com o estilo dançante da valsa, no trio. O terceiro andamento abre com um tema plangente no violoncelo, para logo a seguir passar para o violino, cabendo ao piano o acompanhamento das cordas. Esta situação é invertida na secção seguinte, num andamento mais vivo, e acaba, no último episódio, tal como começou, com o tema agora sujeito a algumas variações nas cordas. No último andamento, escrito sobre a forma rondó, os temas dos andamentos anteriores voltam a aparecer, dando, assim, uma unidade à totalidade da obra.

 

Johannes Brahms, Trio de Piano n.º 2, em Dó Maior, op. 87

Este trio, escrito entre 1880 e 1882, não teve a boa recepção, na época, de outras obras de J. Brahms, provavelmente devido à sua escrita densa resultante, entre outros, do entrelaçamento das várias vozes, do desdobramento dos diversos temas e ideias secundárias, da sobreposição de ritmos de natureza diversa. O 1.º andamento é composto por dois temas principais: o primeiro, com um carácter mais incisivo, é introduzido logo no começo pelas cordas; o segundo, definido por uma linha melódica mais contínua, anunciado como dolce, é exposto pelo piano. Escrito na forma sonata, o andamento termina com o tema que lhe deu início. O 2.º andamento inicia-se com um tema nas cordas a partir de uma pequena célula rítmica, seguindo-se-lhe cinco variações. O 3.º andamento, um scherzo, é na habitual estrutura tripartida, diferenciando-se as secções extremas pelo ritmo nervoso, quer nas notas repetidas pelas cordas, quer nos curtos arpejos do piano, em contraste absoluto com o ritmo mais ondulante quase ao sabor de uma toada popular na secção central. O 4.º andamento retoma o ritmo trepidante do andamento anterior, agora numa linguagem mais cromática e numa textura rítmica mais heterogénea.

Maria José Artiaga

 

Direcção Regional da Cultura - Açores
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