23 OUT 21h30 | S. MIGUEL | Teatro Micaelense

 

Companhia de danÇa Olga Roriz

 

Electra

[Duração 60']

Estreia no Teatro Camões a 28 de Janeiro de 2010
Co-produção: Companhia Olga Roriz | Teatro Nacional S. João | OPART

 

Coreografia e Interpretação | Olga Roriz
Dramaturgia, Selecção Musical e Figurino | Olga Roriz e Paulo Reis
Músicas | Gavin Bryars, Eleni Karaindrou, Erik Honore/Jan Bang,
Carlos Zíngaro, Benco & Hladnik, Richard Strauss
Direcção de Ensaios e Cenografia | Paulo Reis
Desenho de Luz | Clemente Cuba
Pós-produção Áudio, Desenho de Som e Montagem | Sérgio Milhano

 

A Sagração da Primavera

[Duração 33']

Estreia a 29 de Maio de 2010 no Grande Auditório do C.C.B.
Co-produção: Companhia Olga Roriz com a Fundação Centro Cultural de Belém

 

Direcção e Coreografia | Olga Roriz

Música | Igor Stravinsky – "A Sagração da Primavera" | Herbert Von Karajan (1965)
com a Orquestra Filarmónica de Berlim
Cenário | Pedro Santiago Cal
Figurinos | Olga Roriz e Pedro Santiago Cal
Desenho de Luz | Clemente Cuba

Ensaiadora | Sylvia Rijmer
Professores | Jácome Filipe,Teresa Ranieri, Vítor Garcia

Intérpretes
Eleita | Marta Lobato Faria, São Castro
Sábio | Jácome Filipe
Mulheres | Carla Weissmann, Catarina Câmara, Liliana Garcia, Marlene Vilhena,
Rafaela Salvador, São Castro, Maria Cerveira, Sylvia Rijmer
Homens | Bruno Alexandre, Bruno Alves, Filipe Baracho, Hugo Goepp, Hugo Martins,
Pedro Santiago Cal, Ricardo Machado, Ricardo Teixeira, Yonel Serano

 

trio.pt

 

ELECTRA - UM NOVO SOLO DE OLGA RORIZ

Electra surge de um longo percurso de solos da coreógrafa iniciados em 1988, onde em cada uma dessas criações se revela o cunho pessoal da autora/intérprete.
Todos esses solos são fruto não do acaso ou circunstância mas sim de um encontro e confronto consigo própria.
Os seus solos nascem de uma urgência, de uma evidente necessidade, da invasão de uma ideia que se instala e a impele a um desafio sem retorno.
Assim surgiu a personagem de Electra talvez num sonho, colando-se à pele como uma saga.
Pouco lhe importará a narração da história que a envolve mas sim os contornos dessa complexa personagem.

 

A MINHA ELECTRA

As cenas são descoladas e aparentemente sem relação ou objectivo comum, no entanto, vão desvendando uma espécie de personagem misteriosa.
É como se houvesse uma inquietação latente naquela mulher, onde cada momento e cada lugar por onde passa tanto são acrescentados como anulados pelos que se seguem.
Cada cena, cada passagem tem uma força estranha, uma vivência e uma certeza que se instala desde o primeiro gesto.
As acções banais entre as cenas carregam a carga do que acabou de fazer, tornando essas acções, também elas, em cenas.
É uma mulher que não pensa nem sente. Ela tortura-se, obriga-se, anula-se...
Castiga-se a passar o tempo congeminando uma nova forma de agir, de estar, de se lamentar, de se preparar, de lutar, …de jamais se esquecer.
Não há resignação, não há desistência, apenas por vezes uma espécie de falso e tranquilo abandono.
Ela mostra sem pudor a sua força e a sua fraqueza, a sua nobreza e a sua humilhação.
Ela é uma mulher assustadoramente presente na sua ausência.
Os seus olhares para o exterior de si são os únicos indicativos da sua espera onde o tempo não existe.
Ela nunca se expõe, apenas se dispõe.

Olga Roriz | 24 de Novembro de 2009

 

"UM LUGAR SOLITÁRIO ONDE ENCONTRAMOS A NOSSA LÍNGUA"

A memória de um acontecimento pode ser tão inútil como a queda, a rasura, o seu esquecimento involuntário… Desejamos não esquecer o que nos atormenta ou reconforta, e, no entanto, esquecemo-lo, aqui e ali, sem apelo.
O que resta desta violência muda? O fragmento. Sem história, sem berço. Toda a orfandade de um sorriso ou de uma carícia.
O fragmento encerra uma procura de revelação. O lugar da sua familiaridade é convocado de cada vez que ele se mostra. Esse lugar será sempre um lugar perdido, em cada procura.
Ao relembrar reconstruímos algo que sempre esteve desfeito. Se olharmos para além da mentira bem-intencionada da memória, vemos o vazio inerte. O fragmento subsiste como refúgio.
Os restos de uma narrativa são recompostos com pouco mais do que a frágil expectativa de sentido. A harmonia de uma conclusão é desfeita nessa angústia de um tempo que se dissolve, satura, suspende e nos obriga a refazer memórias.
Acabamos a habitar um lugar solitário onde encontramos a nossa língua.

Paulo Reis | 12 de Dezembro de 2009

 

 

A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA - O DESAFIO

Coreografar A Sagração da Primavera de Igor Stravinsky nunca pode acontecer por acaso nem ter data marcada ou ser uma encomenda alheia à vontade do criador.
A Sagração é uma peça à espera do momento, do lugar certo, duma vontade, de um desejo incontornável.
A Sagração é um desafio, um risco, um precipício no abismo ao qual loucamente me lancei com toda a minha paixão.

 

A MINHA SAGRAÇÃO

Apenas o facto de escrever ou deixar escapar-me da boca a conjugação destas duas simples palavras «a minha Sagração», me transtorna a mente, o coração, a flor da pele.
O tempo parece não ter passado desde que, ainda jovem, interpretei o papel da eleita do coreógrafo Joseph Roussillo no Ballet Gulbenkian.
O tempo parece não ter passado desde a primeira vez que vi, num minúsculo televisor, a versão de Pina Bausch e ter decidido nunca coreografar esta peça.
O tempo parece não ter passado desde a polémica estreia de Nijinsky/Stravinsky.
Mas o tempo passou e a obra perdura no nosso imaginário cultural.
O fascínio e respeito pela partitura foram determinantes para a minha interpretação, construção dramatúrgica e coreográfica da peça.
A fidelidade ao guião de Stravinsky foi, desde o início, o único caminho com o qual me propus confrontar.
No entanto, dois aspectos se distanciaram do conceito original. Visões personalizadas que imprimem à história uma lógica mais possível à minha compreensão, mais aprazível à minha manipulação.
Em 1º lugar concedi ao personagem do Sábio um protagonismo invulgar, sendo ele que inicia a peça. Ainda em silêncio e durante todo o Prelúdio habita o espaço solitário e vazio traçando nos seus gestos um percurso de premunição, antecipação e preparação do terreno para o ritual. A 2ª opção, que se distancia drasticamente do conceito original, reside no facto de o personagem da Eleita não ser tratada como uma vítima no sentido dramático da questão. A minha Eleita sente-se uma privilegiada e quer dançar até sucumbir. Em nenhum momento se sente obrigada ou castigada nem o medo a invade. Ela expõe a sua força e energia vitais lutando cegamente contra o cansaço.

Olga Roriz | 10 de Maio de 2010

 

 

Direcção Regional da Cultura - Açores
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