19 NOV 21h30 | S. MIGUEL | Teatro Micaelense
20 NOV 21h30 | FAIAL | Teatro Faialense
Recital de
Flauta
e Piano
Adriana Ferreira, flauta transversal
Isolda Rubio, piano
Programa
I
J. S. Bach
C. Saint-Saëns
F. Borne |
II
F. Poulenc
Alexandre Delgado
S.Prokofiev |
ADRIANA FERREIRA
Concluiu o Curso de Instrumentista na Escola Profissional Artística do Vale do Ave (Artave) na classe da professora Joaquina Mota, com a classificação de 20 valores, tendo-lhe sido atribuído um Prémio de Mérito pelo Ministério da Educação e o Prémio Dra. Manuela Carvalho. Aos 17 anos foi admitida no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, onde estuda actualmente, na classe de Sophie Cherrier, Vincent Lucas (Flauta) e Pierre Dumail (Flautim), obtendo sempre as máximas classificações. Integrou e colaborou com diversas formações, como a Orquestra de Jovens da UE, Orquestra Gulbenkian e Orquestra de Paris. Obteve o 1° Prémio numa dezena de concursos da especialidade, entre os quais o Prémio Jovens Músicos RDP, Concurso Internacional de Kiev, Concurso de Interpretação do Estoril (além do Prémio do Público) e o Concurso Nacional de Flauta, em França. Actualmente, para além da gravação do seu primeiro CD, a sua agenda conta com Carta Branca para recitais e concertos em diversos festivais, onde irá colaborar com a Orquestra da Ópera de Paris e a Limburgs Symphony Orchestra, entre outras. Paralelamente, frequenta uma Licenciatura em Musicologia na Universidade Paris-Sorbonne, sendo bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian desde 2008. Obteve recentemente o 1° Prémio e dois Prémios Especiais (Prémio da Odense Symphony Orchestra e Prémio do Júri de Jovens Flautistas) no Concurso Internacional Carl Nielsen, na Dinamarca.
ISOLDA CRESPO RUBIO
Nasceu em Barcelona onde iniciou os seus estudos de Piano na Escola de Música Orfeó Gracienc com as professoras Carme Codina e Teresa Ruiz. Em 2000, obteve o Diploma de Professora de Piano no Conservatório Municipal de Música de Barcelona e terminou a Licenciatura em Cinema e Audiovisuais na Escola Superior de Cinema e Audiovisuais da Catalunha. Em 2004, licenciou-se no Royal College of Music de Londres onde estudou sob a orientação do professor John Barstow. Apresentou-se em recitais, como solista e pianista acompanhadora, em Espanha, Portugal, França, Suíça, Reino Unido e Coreia do Sul. Em 2002 obteve o primeiro prémio no Concurso de Música Contemporânea para Piano no Royal College of Music. Gravou dois CDs com obras para dois pianos para a etiqueta GuildMusic. Foram-lhe atribuídas as bolsas da Generalitat de Catalunya e de AIE (Sociedad de Artistas Intérpretes o Ejecutantes de España) e foi escolhida pela INJUVE (Instituto Nacional da Juventude) para participar nos Circuitos de Música INJUVE 2005/2006 com o seu duo de clarinete e piano (Dúo Mecina). Actualmente é professora de piano e pianista acompanhadora na Escola Profissional Artística do Vale do Ave (ARTAVE).
A sonata para flauta e contínuo de Johann Sebastian Bach, nome que designava o instrumento que realizava a harmonia que acompanhava a linha melódica, terá sido composta por volta de 1741 para o músico amador Michael Gabriel Fredersdorf, camareiro na corte do rei Frederico da Prússia. Dada a voz do instrumento que realizava a parte do baixo servir de apoio harmónico à voz superior, aqui tocada pela flauta, toda a sonata põe em grande evidência a parte melódica reservada a esse instrumento, tratada nesta obra com uma técnica superior, deixando ao instrumento harmónico um papel mais discreto. Composta em quatro andamentos, à maneira das antigas sonatas de igreja, conserva a mesma estrutura: lento-rápido-lento-rápido. No primeiro andamento, Bach dá à melodia uma forma variada. No andamento seguinte, apesar de lhe chamar Allegro, adopta o estilo do rigaudon, uma dança popular francesa de carácter alegre em ritmo binário e frases de extensão semelhante. No terceiro andamento, Bach utiliza novamente uma dança de ritmo pontuado, a siciliana, uma música do tipo ária para instrumento, muito em voga nos séculos XVII e XVIII. Esta dança era caracterizada por um andamento lento em compasso binário composto. O último andamento é o mais rápido e virtuosístico, ao estilo da polaca barroca, dança que, como o nome indica, teve origem na Polónia.
Camille Saint-Saëns nascido em Paris em 1835, morreu em Argel em 1921. Foi um artista brilhante e prolífico que compôs para diversos géneros musicais. Foi também um dos principais representantes do movimento em prol da música francesa. Entre outras iniciativas, ajudou a fundar, em 1871, a Société Nationale de Musique, após a derrota sofrida pelas tropas francesas na Guerra com a Prússia. O Romance que se vai ouvir foi escrito para o flautista Paul Taffanel em 1871. Tal como noutras peças deste programa também teve uma versão para violino e piano. Nesta obra, a flauta está em grande destaque, particularmente pela exploração sonora que o compositor faz nos vários registos do instrumento.
François Borne (1840-1920) foi um flautista francês proeminente em França onde contribuiu para o protagonismo do instrumento, sobretudo após a evolução técnica que este sofreu durante o século XIX. A presente fantasia baseia-se em vários dos temas mais populares da ópera Carmen de Bizet aos quais o compositor acrescentou algumas variações.
O compositor Francis Poulenc (1899-1963) nasceu e morreu em Paris. Herdeiro musical de Satie, assim como de Debussy e Ravel, a sua música reflecte muitos dos traços desses seus compatriotas, como a fluência da linguagem e um gosto pela clareza. A melodia é um dos parâmetros que mais o atrai como se pode verificar nesta obra, onde, apesar das súbitas mudanças de ambiente, não perde a sua exuberância. A presente sonata, escrita entre 1956 e 1957, foi dedicada a Elizabeth Sprague Coolidge, uma mecenas americana num período em que também em França várias mulheres pertencentes a uma classe económica privilegiada contribuíram financeiramente para a criação de várias obras-primas. Foi estreada no Festival de Estrasburgo pelo próprio compositor ao piano e pelo famoso Jean-Pierre Rampal na flauta.
Alexandre Delgado, nascido em Lisboa em 1965, tem tido uma carreira activa e polifacetada em domínios como a interpretação, enquanto co-fundador e violetista do quarteto Lacerda, como compositor, autor de programas na RDP, de livros e ensaios e director artístico do Festival de Música de Alcobaça. Em todas as suas actividades tem colocado um enorme empenho na divulgação da música portuguesa. Como compositor, escreveu obras vocais, para diversos conjuntos instrumentais, para instrumentos solistas, para orquestra, música de cena e ópera. A obra The Panic Flirt, para flauta solo, é de 1992. Numa entrevista, o músico diz esforçar-se para que a sua música não tenha o hermetismo das obras mais vanguardistas da 2ª metade do século XX e criar referências que sejam percepcionadas quer pelo intérprete quer pelo ouvinte. Dos vários géneros cultivados considera que a música de câmara e a ópera são as suas "grandes paixões".
A sonata para flauta e piano de Sergei Prokofiev (Sontsovka, Ukrânia, 1891- Moscovo, 1953) foi escrita durante os anos da 2ª Guerra mundial, encontrando-se o compositor então nos montes Urais. Durante esse período de conflito, o músico escreverá não só obras de carácter propagandístico, tendo como tema os aconte- cimentos da guerra, como obras de câmara. A sonata para flauta e piano de 1943 obteve um sucesso imediato que levou o violinista David Oistrakh a pedir-lhe uma nova versão para violino. O primeiro andamento segue a forma clássica da forma sonata com a apresentação de dois temas. O Presto, em que se destaca um jogo rítmico animado entre os dois instrumentos, é interrompido por uma curta secção central de carácter mais introspectivo, regressando, depois, ao jogo rítmico inicial. O andamento seguinte apresenta uma melodia expressiva apresentada pela flauta, a que se segue uma secção mais animada, retomando, a seguir, o carácter inicial. A sonata acaba com um rondó de estilo paródico e carácter enérgico.
Maria José Artiaga


